Aquele pornógrafo…
…tinha como dilema o fato de querer produzir algo fascinante e ao mesmo tempo condenável. Não se contentaria com um só.
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Acendeu um cigarro
Ele se aproximou.
- Que tal um café em troca de um cigarro?
- Não bebo café… mas tome. – estendeu-lhe o maço. – Não quer que eu acenda?
- Obrigado, mas eu não fumo.
A partir daí a conversa seguiu outro rumo.
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…
- Vou te abraçar agora.
- Pode vir.
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Beatriz e Bauman
Havia se cansado da incapacidade dos outros mirarem ela como ela de fato era.
Mas teria ela a capacidade de sair de si e olhar para o outro com esse propósito? Acreditava que sim e aí residia uma pretensão que a distanciava do egoísmo comum a todos os outros. Pelo menos assim acreditava. E era preciso acreditar e nessa possível crença construir um proceder, um modus operandi. Era isso ou seguir as duas alternativas que tudo ao redor lhe impunha: a autização ou a liquidez de que as coisas são assim mesmo e foda-se. Sentia-se tomada pelo peso do nada sentir, do cansaço, da vontade de se refugiar em um aquário, fugindo do oceano. Carregava em si o trauma dos nados, das marcas na alma que nunca soube o que era. Pensava nas máquinas. Era tudo máquina.
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A grande diferença…
…entre uma idéia inconsciente e uma consciente é que esta se manifesta em representações verbais enquanto aquela cala (mas não deixa de sussurrar atrás da orelha).
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Estranha…
…sensação de ter reencontrado o passado e ele não ser mais o mesmo nem agora e nem o que foi lá atrás.
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Pensava…
…em você dia e noite. E entre os dois também.
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Nunca…
…neguei resposta a suas perguntas.
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Jean Pierre…
…ainda limpava as mãos em um punhado de estopa quando viu uma menina carregando sapatilhas nas mãos do outro lado da rua. Levava um vestido branco, ou que assim um dia foi, de debutante ou noiva, a tiara torta, o olhar nos pés descalços. Jean Pierre pensou em pará-la, mas deixou que o olhar e os pensamentos fugissem por alguns instantes. Foi o suficiente para ela entrar em uma das casas do bairro e ele acordar do delírio de anjos bailarinos caídos caminhando cabisbaixos pela cidade.
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Tags: amanhecer, prosaísmos
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