…tentava entender enquanto escutava atentamente a tudo e, enquanto o fazia, era tomado pela contradição de compartilhar em um breve momento da infelicidade e seu reverso. Sentia-se insignificante e idiota, como um aprendiz, um menino incapaz de abrir a boca, a não ser para saciar a vontade da próxima tragada. Ao mesmo tempo sorria para ela na medida do espontâneo e do verdadeiro, não do possível e aí residia a quase felicidade: ela ali estava, talvez isso bastasse, mas ela lhe dirigia a palavra como a um cúmplice e lhe confiava todo um repertório de observações pessoais acerca da vida e do mundo que lhe levou a pensar que o único senão daquele momento era que não havia para quem pedir o próximo cigarro.

(2001)



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