Na semana passada não sentia nada. Sabia que devia sentir alguma coisa: saudades, tristeza, esperança, ódio, fome, ansiedade, desespero, pânico, medo, solidão. Era quase uma obrigação, eu tinha que sentir alguma coisa, mas não sentia nada. Tudo bem que nunca lidei muito bem com obrigações. Mas este nada era uma merda. E só agora percebo que talvez estivesse melhor assim. Mas não, nunca estou satisfeita ou convencida, tampouco meu corpo.

 

(2003)



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