Paulo e Beatriz (I)
…..Ajustava a câmera para uma próxima foto e então viu que na sala contígua à biblioteca uma moça o observava, ela dirigiu-lhe rapidamente o olhar e logo deixou novamente os pensamentos vagarem. Ele, para observar-la melhor, pôs o olho no visor da câmera e fingiu medir a luz. Clic. O indicador lhe esticava a sobrancelha direita, nas mãos um livro que ele não conseguiu divisar qual era, mas que o surpreenderia dentro em pouco. A luz entrava suave, mas permitia ver-lhe o rosto: era bela. Levava um vestido simples que deslizava sobre o corpo e recebia nos ombros os cabelos negros, ondulados e luminosos. Se segurava o livro, parecia ter deixado de lê-lo há algum tempo e ficou tentando discernir os pensamentos que lhe vinham e que tentava pôr em um bloco de notas que jazia na mesa de centro a seus pés. Era então uma tarde qualquer de outubro e o calor ainda vinha tímido, mas na rua já se ouviam as primeiras expectativas do feriado dos próximos dias.
…..Na casa estavam somente ela, o professor e o fotógrafo.
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