Num tempo em que a cerveja Sol era mexicana e importada, uma amiga havia escrito em uma bolacha da cerveja: “Mi vida es una alucinación”. Tomando o porta-copos e a frase, o primeiro guardado em uma caixa de lembranças, a segunda carregando sempre comigo, digo sem titubear que talvez seja esta a epígrafe de minha biografia, competindo tão somente com “eu sempre sobrevivo”. 

Corro e continuo porque a cabeça não agüenta se paro. Digo-lhes com pesar e com experiência empírica que aos 27 anos continuo sem rumo, 20 empregos diferentes desempenhados em 14 anos de vida profissional e com mais dívidas de alma e de idéias que financeiras. Carrego comigo um egoísmo e orgulho que às vezes me doem, mas não faço média e tão pouco recepciono no mesmo tom amigos e filhos-da-puta e lamento profundamente ter tratado, por minha bipolaridade, às vezes aqueles como estes, coisa que jurei não mais fazer.



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