Vulgares
Ato I: Beco
O silêncio da rua é perturbado pelo passo apressado dos saltos altos de uma mulher de negro, que entra num beco escuro, estreito, de paredes cimentadas, pichadas com dizeres ilegíveis. Em alguns pontos o cimento caiu revelando tijolos velhos, mofados, umedecidos pela água pingada de enferrujados canos furados. No beco, ela entra, corre e pára. Sabe que ele a segue logo atrás. Sorri. Coloca as mãos na parede olhando-o fixamente. Desliza as mãos ascendentemente pelas coxas, levantando a saia, mas não muito. Espera ele se aproximar. Vira o corpo. Coloca as mãos na parede dando-lhe as costas. Não demora muito e ela sente a carne dele conjugando-se com a sua. Ele soa, ofega. As calças caídas pelos joelhos. Poucos minutos. Solta um alívio deleitoso. Ela ajeita a saia e recoloca a calcinha, ele levanta as calças e fecha o cinto.
– Temos que parar de nos encontrar assim. – diz ela, recompondo-se, dando a ele as costas, fazendo um ar triste e preocupado.
– Mas é tão bom. – diz ele fechando a braguilha.
– Claro que é. Mas você não me escutou? Não podemos continuar.
– Acha que ele desconfia?
– Caralho! Larga de ser panaca! É claro que desconfia.
– Então seria melhor abrirmos o jogo de uma vez. – Mãos nos bolsos, pés na parede, olhar aflito.
– Que é? Tá louco? Ele seria capaz de nos matar. – Ainda de costas, voz exaltada.
– Ele vai entender. Eu o conheço. – Olhar preocupado, coça a cabeça em dúvida.
– Vai o caralho! Ele é homem. Nenhum homem gosta de ser corneado. E pouco importa que você o conheça ou não. Nenhum homem leva numa boa a idéia de ter levado um par de chifres, ainda mais do melhor amigo.
– Ele vai entender. Eu te amo. Você me ama. A culpa não é nossa. – Inocente.
– Ah, não? Então de quem? – Irônica.
– Do amor.
– Fala sério. Como os anjinhos? De arco e flechas com coraçãozinhos na ponta? É isso? – Vira-se um instante, olhar mordaz.
– Pode ser. Foi assim com a gente. E pronto. – Aproxima-se, segura os ombros dela, pelas costas.
– Então, porque me deixou casar com ele? Fala. Por que agora não fala nada? Hein? – Livra-se das mãos dele.
– Eu te amo. – Chateado.
– Ama o caralho! Não, você não me ama. Você gosta é de trepar comigo. – Dá dois tapinhas nas próprias coxas.
– Não fala assim.
– “Não fala assim”. Por quê? Você não é um homem? Diz que gosta de trepar comigo, que tem tesão por mim. E pronto. Qual o problema? Diz: “Gosto do teu corpo”. “Tenho tesão por você”. – Cruza os braços, olha pra ele de lado.
– Sim. Gosto do teu corpo. Do teu sexo. Gosto de tre… de fazer se… de fazer amor com você. Mas acima de tudo é de você que eu gosto. Eu te am…
– Você hesita demais. Não diga mais nada. – Dá-lhe as costas.
– Eu te amo.
– Não. Não podemos continuar nos encontrando deste jeito.
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até quando escreve “pseudo-putaria” fica poético.
Pô, “pseudo-putaria”?
Minha putaria é legítima… mas tá, me esforço mais da próxima vez.
Historias paralelas, contos e desencontros…
gostei!