alucinación (VII)
Punk rock em dia de jazz. Não tenho frescuras, mesmo. Larguei escritórios e redações para não ter que fingir ligar pra um protocolo de richas internas. Assim como para voltar a usar cotidianamente calça jeans, camiseta e tênis. Ótimos para flanar e sempre mais divertidos e libertários que qualquer uniforme de yuppie. Enfim, já passei melhores momentos com um rabo-de-galo e uma porção de amendoim em um boteco qualquer de esquina do centro do que em um jantar de congresso em salões finos do Morumbi, Jardins e Pinheiros. Não que eu não goste de boa comida e boa bebida, aceito convites ainda, a trabalho ou não. É que a experiência, as conversas e principalmente as pessoas que acompanharam o primeiro foram infinitamente mais enriquecedoras e tocantes. Além da constatação de que frequentemente a classe alta é educada mais por uma questão de status do que por cidadania ou respeito.
Não creio no mundo das propagandas de margarina. Se se é o que se pensa, estou fodido. Niilismo é um jeito tosco de ver as coisas eu sei, mas aquele papinho de polegar pra cima e sorriso esticado a todo momento tampouco explica ainda tanta dor e morte.
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